sexta-feira, 2 de abril de 2010

Charles Bonin (1)

Charles Eudes Bonin

* Poissy, França, 26 de Junho de 1865

+ Barcelona, Espanha, 30 de Setembro de 1929.

Grande Explorador. Especialista no Extremo Oriente.

Entre as explorações que empreendeu está a travessia de toda a Ásia Central (de E a O) e a exploração do rio Yangtze (ou Chang Jiang) e do Rio Amarelo (ou Huang He / Hwang Ho).
Regressou à Europa seguindo a rota de Marco Pólo, em 1900.

Jaime Cortesão (1)

Jaime Zuzarte Cortesão

* Ançã, Cantanhede, 29 de Abril de 1884

+ Lisboa, 14 de Agosto de 1960

sábado, 27 de março de 2010

Vitorino Nemésio (1)

Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva

* Praia da Vitória, Açores, 19 de Dezembro de 1901

+ Lisboa, 20 de Fevereiro de 1978

Cândido de Figueiredo (1)

António Cândido de Figueiredo

* Lobão da Beira, 19 de Setembro de 1846

+ Lisboa, 26 de Setembro de 1925

domingo, 21 de março de 2010

Gonçalves Viana (1)

Aniceto dos Reis Gonçalves Viana
* Lisboa, 1840 + Lisboa, 1914
Filólogo, linguista e lexicógrafo português.
É também considerado um dos maiores foneticistas portugueses.
Fez a primeira descrição de conjunto do sistema fonético do português em 1883.
Foi um dos membros da Comissão de Reforma Ortográfica de 1911.

quinta-feira, 11 de março de 2010

"Dr. Júlio Dantas"

Dr. Júlio Dantas
A fotografia mais divulgada no meio editorial
Acervo Rui Calisto

quarta-feira, 10 de março de 2010

"Marcha Triunfal"

“Não passou certamente despercebido a nenhum dos presentes o aparecimento da 2ª edição da primorosa obra “Marcha Triunfal”, do nosso Presidente de Hora, Dr. Júlio Dantas, cuja lembrança nesta Casa é permanente, com a admiração devida a quem deu à Academia o grande esforço de uma forte personalidade e deu à cultura portuguesa algumas das obras-primas da sua literatura.” (Amorim Ferreira. Novembro de 1961). Acervo Rui Calisto.

"TRIBUNA"

“Permita-me que assinale igualmente outro acontecimento, aliás de natureza diferente: Quero referir-me ao serviço prestado à cultura nacional pela casa editora Bertrand com a publicação da colectânea de discursos do Senhor Doutor Júlio Dantas, reunidos sob o título “Tribuna”. Já me fora dado o prazer de os escutar na sua maior parte. Tive agora ensejo de os ler atentamente e de admirar e apreciar o génio literário do eminente académico, glória das letras pátrias e da latinidade. Que magnificência de imagens, que colorido de expressão, que agudeza de juízo, que imparcialidade na apreciação dos homens e dos factos, aliás julgados no seu condicionalismo histórico e com a benévola compreensão do homem superior! Mais uma obra a acrescentar a tantas e tantas produções com que nos deslumbra o fulgor do seu espírito.” (Gustavo Cordeiro Ramos. Dezembro de 1960) – Acervo Rui Calisto.

terça-feira, 9 de março de 2010

"Júlio Dantas", por João Gonçalves

“Publiquei no meu blogue, em 26 de Maio (2009), um post sobre Júlio Dantas, no 47º aniversário da sua morte. Porque era um académico ilustre, porque foi um dos mais profundos conhecedores da língua portuguesa, porque publicou dezenas de livros que na forma e no conteúdo são textos notáveis (poesia, ensaio, ficção, teatro), porque os seus discursos constituem das mais belas peças de oratória depois do Padre António Vieira (sim, é verdade, embora muitos desconheçam ou ignorem propositadamente esta verdade), porque a maior parte das suas peças foi representada com um êxito que faz inveja à maioria das actuais produções teatrais, porque desempenhou brilhantemente funções de ministro e de embaixador, porque foi um inovador nos temas das suas peças, algumas das quais foram extraordinariamente arrojadas para a época (tal como o "Mar Alto", de António Ferro, que foi proibido pelo Governo Civil de Lisboa em plena I República), e porque escreveu "A Ceia dos Cardeais", que está traduzida em dezenas de línguas, por tudo isto e possivelmente mais, Júlio Dantas tornou-se um mal-amado da literatura portuguesa. Esquecido pela direita (a que não pertencia), ignorado pelo centro (que vive a sua própria ignorância), atacado pela esquerda (de quem no fundo estaria porventura mais próximo) que julgou ler nele um camareiro real (ou papal), não sabendo medir as distâncias no tempo (a sua obra tem um século), Júlio Dantas foi empurrado para o limbo do esquecimento, de que apenas sai pela evocação do famoso manifesto de Almada, utilizado a torto e a direito sem que se saiba bem porquê (…) os ecos que me chegam neste blogue esclarecem-me o suficiente para poder denunciar a ignorância, a estupidez, o oportunismo ou mesmo a má-fé de todos quantos se encarniçam a apoucar o Dantas, sem dele terem lido, porventura, uma única linha! Afinal, ser-me-ia também fácil, se estivesse possesso de estultícia, escrever agora aqui: MORRAM TODOS OS DETRACTORES DO DANTAS. PIM!” (João Gonçalves. In: “Do Médio Oriente e Afins”)

Inauguração do Busto do Dr. Júlio Dantas na Academia das Ciências de Lisboa, em 11 de Maio de 1960

Augusto de Castro pronunciando o seu discurso
Raridade
Acervo Rui Calisto

domingo, 7 de março de 2010

Dr. Augusto de Castro (1)

Augusto de Castro Sampaio Corte Real
* Cedofeita, 11 de janeiro de 1887
+ Estoril, 24 de Julho de 1971

Dr. Reynaldo dos Santos (1)

Reynaldo dos Santos
* Vila Franca de Xira, 3 de Dezembro de 1880
+ Lisboa, 6 de Maio de 1970

quinta-feira, 4 de março de 2010

Dr. Augusto Pires Celestino da Costa (1)

Augusto Pires Celestino da Costa
* Lisboa, 16 de Abril de 1884
+ Lisboa, 1956

terça-feira, 2 de março de 2010

Bulhão Pato (1)

Raimundo António de Bulhão Pato
* Bilbau, 3 de Março de 1828
+ Monte da Caparica, 24 de Agosto de 1912
Raridade
Acervo Rui Calisto

segunda-feira, 1 de março de 2010

JOAQUIM LEITÃO (2)

Dr. Joaquim Leitão
Raridade
Acervo Rui Calisto

Eduardo Brazão em "A Ceia dos Cardeaes"

Eduardo Brazão
O grande actor a representar:
"A Ceia dos Cardeaes"
Raridade
Acervo Rui Calisto

Eduardo Brazão em "O que morreu de amor"

Eduardo Brazão
O grande actor a representar:
"O que morreu de Amor"
Raridade
Acervo Rui Calisto

"Júlio Dantas", por Eduardo Brazão

"Depois de saudar Lopes de Mendonça, não quero deixar de prestar a minha homenagem a Júlio Dantas que, embora mais novo do que aquele, é também uma das individualidades mais notáveis da nossa dramaturgia. Dantas é o autor de algumas dezenas de livros que o público procura e lê, sempre com interesse e agrado, e é o presidente da Academia das Ciências de Lisboa. De toda a sua obra teatral quero destacar o "Paço de Veiros", "A Ceia dos Cardeaes" e "O que morreu de amor", peças que de per si só bastavam, para que o autor ocupasse um lugar de relevo entre os dramaturgos do seu tempo." Acervo Rui Calisto.

Júlio Dantas - Raridade - 1925

Dr. Júlio Dantas
Raridade
Acervo Rui Calisto

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Conde de Monsaraz (1)

Conde de Monsaraz
(António de Macedo Papança)
* Reguengos de Monsaraz, 18 de Julho de 1852
+ Lisboa, 17 de Julho de 1913
Acervo Rui Calisto

Teixeira de Pascoaes (1)

Teixeira de Pascoaes
(Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos)
* Amarante, 8 de Novembro de 1877
+ Gatão, 14 de Dezembro de 1952
Acervo Rui Calisto

Joaquim de Carvalho (1)

Dr. Joaquim de Carvalho
* Figueira da Foz, 10 de Junho de 1892
+ Coimbra, 28 de Outubro de 1958
(Pai do meu saudoso amigo Dr. Joaquim Montezuma de Carvalho)
Acervo Rui Calisto.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Eugénio de Castro (1)

"Mas, voltemos aos poetas. Na hora crepuscular que a Humanidade atravessa, entre o Mundo esplêndido que morre a um Mundo incerto que nasce, a Poesia, clarão espiritual, ilusão magnífica, é ainda das poucas coisas que enobrecem a Vida." (Excerto da homenagem do Dr. Júlio Dantas ao poeta Eugénio de Castro). Acervo Rui Calisto.

Homenagem ao Dr. Júlio Dantas no seu Cinquentenário como escritor de Teatro

Academia das Ciências de Lisboa
"Soleníssima sessão em honra do Presidente da Academia, Senhor Dr. Júlio Dantas, para a entrega da medalha comemorativa dos seus cinquenta anos de escritor de Teatro, em 4 de Março de 1950. Aspecto do Salão Nobre, vendo-se no uso da palavra S. Exª o Senhor Professor Caeiro da Matta, ladeado à direita pelos Senhores Egas Moniz e Joaquim Leitão e à esquerda pelos Senhores Moses Amzalak e Pereira Forjaz. À direita da mesa, sentados, o Senhor Júlio Dantas, S.M. o Rei Carol da Roménia, S.A. Real a Princesa Elena da Roménia, a Senhora D. Maria Isabel Dantas e Sua Exª o Ministro da Educação Nacional." Acervo Rui Calisto.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Sessão Comemorativa do 1º Centenário de Ruy Barbosa (2)

Academia das Ciências de Lisboa
5 de Novembro de 1949
"S. Exª o Presidente da Academia, Senhor Dr. Júlio Dantas, tendo à sua direita os Senhores: Ministro da Venezuela, o Académico Osvaldo Orico, ocupante da Cadeira de Ruy Barbosa na Academia Brasileira de Letras, vindo especialmente de Bruxelas para tomar parte sa sessão solene com que a Academia das Ciências de Lisboa celebrou o Centenário do "Mestre das Três Tribunas", minutos antes de proferir a sua notável oração; o Senhor Embaixador do Brasil; Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Prof. Caeiro da Mata; Profs.Barbosa de Magalhães e Beleza dos Santos." Acervo Rui Calisto.

Sessão Comemorativa do 1º Centenário de Ruy Barbosa (1)

Academia das Ciências de Lisboa
5 de Novembro de 1949
"O Dr. Júlio Dantas, Presidente da Academia das Ciências, lendo o seu magistral discurso sobre Ruy Barbosa, tendo à direita, na mesa de honra, o escritor Osvaldo Orico, das três Academias da língua, e à esquerda o Prof. Gustavo Cordeiro Ramos, Presidente do Instituto para a Alta Cultura." Acervo Rui Calisto

O escritor Emile Henriot entrega ao Dr. Júlio Dantas a Mensagem da Academia Francesa

Academia das Ciências de Lisboa
20 de Março de 1947
Acervo Rui Calisto

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Entrega das insígnias das "Palmas Académicas", de ouro, aos delegados brasileiros à Conferência Inter-académica, em 27 de Setembro de 1945

Academia das Ciências de Lisboa
Sala Brasil
"Ao centro: A Embaixatriz do Brasil Sra. D. Iracema Neves da Fontoura; à direita: o Sr. Ministro da Educação Nacional, Dr. Caeiro da Mata; o Presidente da Academia, Dr. Júlio Dantas; o Encarregado de Negócios do Brasil, Dr. Ribeiro Couto; Dr. Sá Nunes; Dr. Luiz da Cunha Gonçalves; Dr. Queiroz Veloso; à esquerda: Dr. Amorim Ferreira, Sub-Secretário de Estado da Educação Nacional; Dr. Pedro Calmon; Joaquim Leitão, Secretário-Geral da Academia; Olegário Mariano; Dr. Rebelo Gonçalves; Dr. Azevedo Neves, Vice-Presidente da Academia e J. Reis Gomes, Académico." Acervo Rui Calisto.

Egas Moniz (1)

António Caetano de Abreu Freire Egas Moniz
* Avanca, 29 de Novembro de 1874
+ Lisboa, 13 de Dezembro de 1955

Ricardo Jorge (1)

Dr. Ricardo Jorge
* Porto, 9 de Maio de 1858
+ Lisboa, 29 de Julho de 1939

Aquilino Ribeiro (1)

Aquilino Gomes Ribeiro
* Tabosa do Carregal, 13 de Setembro de 1885
+ Lisboa, 27 de Maio de 1963


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Ramalho Ortigão (1)

José Duarte Ramalho Ortigão
* Porto, 24 de Outubro de 1836
+Lisboa, 27 de Setembro de 1915


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Dr. Júlio Dantas - Raridade (1)

Dr. Júlio Dantas
Imagem muito rara, datada de 1899
Original: Acervo Rui Calisto

"Homenagem a Eugénio de Castro" - Discurso do Dr. Júlio Dantas

Academia das Ciências de Lisboa
Mesa de Honra
Da esquerda para a direita: Prof. Dr. António Pereira Forjaz, Vice-Secretário-Geral da Academia; Dr. Júlio Dantas, Presidente da Academia; Dr. Pires de Lima, Ministro da Educação Nacional; Prof. Dr. Maximino Correia, Reitor da Universidade de Coimbra e Dr. Joaquim Leitão, Secretário-Geral da Academia. 10 de Fevereiro de 1951. Acervo Rui Calisto.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Palavras do historiador Dr. Alberto Iria (1)

“A actividade de Júlio Dantas, como Inspector Superior das Bibliotecas e Arquivos, e que constituiu, neste aspecto, uma autêntica revolução para o País, foi de todas a que, na verdade, maiores benefícios trouxe para a Historiografia nacional."


Dr. Alberto Iria
(Joaquim Alberto Iria Júnior)
* Olhão, 27 de Dezembro de 1909
+ Lisboa, 24 de Fevereiro de 1992
Historiador Português

A Ceia dos Cardeaes (1)

Viena D'Áustria recebe "A Ceia dos Cardeaes"
A peça de teatro mais representada e traduzida da língua portuguesa
In: Acervo Rui Calisto

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

CHABY PINHEIRO

António Augusto de Chaby Pinheiro
* Lisboa, 12 de Janeiro de 1873
+ Lisboa, 6 de Dezembro de 1933
Actor

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

JOAQUIM LEITÃO

Dr. Joaquim Leitão
XV Secretário-Geral da Academia das Ciências de Lisboa
(1931-1956)

domingo, 7 de fevereiro de 2010

JÚLIO DANTAS por Mário Salgueiro, em 1919

"Pedem-me que escreva algumas linhas sobre Júlio Dantas. Faço-o com o maior prazer, podendo afirmar – salvas as devidas distâncias na parte que me toca - como Jules Lemaitre ao falar de Loti: "Il me fait trop de plaisir et un plaisir trop aigu et qui s'enfonce trop dans ma chair pour que je sois en état de le juger. A peine ai-je su dire que je l'amais".
Nem eu nesta página poderia julga-lo bem, uma vez que a sua obra tem de ser olhada sob vários aspectos e com a demorada e cuidadosa atenção que devem merecer-nos sempre as obras dos grandes mestres.
O lugar que Júlio Dantas ocupa nas letras portuguesas conquistou-o, como nenhum outro escritor do nosso tempo, à força de talento, vencendo todas as campanhas urdidas contra ele, sem alterações de ânimo, sem pressas, trabalhando sempre e cada vez melhor, a ponto de dominar até aqueles que mais acesa e violentamente o combatiam. Poderia citar casos interessantes, se o espaço de que disponho mo permitisse. Em todos os géneros tem sabido triunfar, mas é principalmente no teatro que a sua alta personalidade literária mais se afirma, criando uma série notabilíssima de tipos capaz de resistir a todos os confrontos e ao mais detido exame.
O teatro histórico tem no eminente dramaturgo uma altíssima expressão formando com Marcelino Mesquita, D. João da Câmara e Lopes de Mendonça o grupo admirável que conseguiu manter no coração do povo o nobre orgulho da sua raça, numa época em que a política desnacionalizadora e bárbara de um regime e uma orientação literária francamente negativista iam cavando cada vez mais fundo o abismo onde se despenharia a nacionalidade.
A sua obra é, de resto, quase inteiramente de exaltação patriótica e, o que ainda ninguém acentuou bem, de exaltação do povo, tanto nas suas peças como nesses três lindíssimos episódios em que consubstancia a revolução republicana de 14 de Maio, e ainda nesses maravilhosos capítulos, que são outras tantas águas-fortes, dedicados ao soldado português da Grande Guerra. Em todos os seus livros se encontram páginas fulgurantes de epopeia popular, como nessa extraordinária Pátria Portuguesa, onde perpassa entre clarões de glória tudo quanto o povo português criou de grande e de belo na sua inigualável, embora curta existência de oito séculos.
Desejaria trazer para aqui todas as suas figuras de humildes, arrancando-as uma por uma das páginas em que palpitam e com as quais se devia ter feito já um grande livro destinado às crianças das escolas, para que elas, filhas do povo, melhor compreendessem, ao lê-las, a épica grandeza dos feitos dos seus avós e a inesgotável energia, a indomável tenacidade da legião estranha e heróica a que pertencem.
Mas tenho um limitado espaço para escrever e a índole desta publicação não se presta a isso. Felizmente, os livros de Júlio Dantas andam hoje nas mãos de toda a gente e as suas peças representam-se em todos os teatros, passando a fronteira e percorrendo triunfalmente as grandes capitais da Europa e da América.
A homenagem que este Almanach presta ao insigne dramaturgo é, pois, justíssima. Júlio Dantas é hoje Alguém em Portugal, merecedor de todas as homenagens, não só pelo seu talento, que é enorme, como pelas suas virtudes, que não são menores.
Estas linhas escreve-as sinceramente quem tem a consciência nítida de quanto ele vale, por ter aprendido a admirá-lo através das suas obras e da sua lealíssima e nobre camaradagem." (Mário Salgueiro). In: Acervo Rui Calisto.



domingo, 31 de janeiro de 2010

SANTA INQUISIÇÃO

"Dezembro de 1914 (...) Barcelona acaba de aclamar no Teatro Apolo, a Santa Inquisição, de Júlio Dantas, consagrando, com a obra forte e bela do dramaturgo, o nome do seu ilustre autor. A Santa Inquisição é uma peça que pode dizer-se peninsular, pela sua índole, pelo seu processo, pela sua combativa construção. Por isso, o drama de Isabel Conti, mulher de Micer António e a figura do Cardeal Inquisidor Geral, serão ainda mais sentidos em Espanha do que o foram em Portugal, onde despertaram lágrimas e paixões." (Augusto de Castro). In: Acervo Rui Calisto.

PÁTRIA PORTUGUESA

"Se Júlio Dantas não fosse um grande homem de letras e melhor tivesse desenvolvido e educado o seu brilhante instinto da luz, da linha e da perspectiva, seria, com certeza, a estas horas, um estranho e impressivo pintor. Nasceu um colorista. A sua visão de poeta, de dramaturgo, de historiógrafo é, toda ela, dominada por esse sentimento e por essa sugestão da cor. A sua obra, já hoje vastíssima, é, acima de tudo, uma sucessão de pequenos ou grandes, largos, gentis, quadros, em que a sensibilidade d’um pincel do século XVIII compõe, combina tintas e aspectos.
Para ele, a História é ainda uma grande pintura. No fundo dessa pintura, formigam, palpitam, latejam, agitam-se almas, convulsões, ideias. Mas, através da sua evocação poderosa, essas almas, essas convulsões e essas ideias são sempre reduzíveis a paisagem, a atitudes, à expressão delicada ou sombria da tela. Antes de sugerir o facto, ilumina a imagem. Antes de animar a figura, veste-a. Ninguém, por isso, em Portugal, conhece, melhor do que ele, indumentária. Ninguém possui, por isso, na literatura portuguesa de hoje um maior poder evocativo. Ninguém dispõe actualmente, entre nós, d’um vocabulário de mais surpreendentes roupagens.
A policromia da sua visão vai, desde a graça subtil d’”A Ceia dos Cardeais” e das “Rosas de todo o ano”, em que as rendas e gentilezas de Watteau brincam e sorriem na aguarela, até aos claros escuros admiráveis da “Santa Inquisição” e de algumas das suas ressurreições históricas, como essa das cortes gerais no “Rei Saudade”, que é das mais nobres e impressivas coisas que o seu talento tem produzido.
A esse precioso, vibrante, complexo sentimento da cor, a essa sensibilidade agudíssima de artista, juntem a cultura perfeita, a cultura sóbria, elegante, d’um erudito. Aí tem, em toda a sua significação, a razão esplêndida do seu triunfo. E eis porquê, na indecisa, apagada, vida literária portuguesa de hoje, em que tantas vozes se perdem, inúteis, Júlio Dantas é sempre alguém que se escuta – porque é sempre alguém que tem que dizer. Há na sua obra páginas agressivas, páginas audaciosas, páginas discutíveis – mas não há uma só página banal. Em teatro, uma nova peça sua poderá não ser amanhã uma aclamação – mas será sempre um acontecimento. Um livro seu será sempre – uma sugestão. O seu nome será sempre – um debate. A glória literária, em vida, não é outra coisa. Júlio Dantas chegou aos trinta e tantos anos a essa glória.
Entre o seu primeiro livro, o “Nada” e a “Pátria Portuguesa” medeia o espaço de dezoito anos. E nesses dezoito anos, desde o poeta negativista e baudelairiano da “Ruiva” e dos “Cadáveres” até à forte e poderosa afirmação do episódio d’”O Tambor”, cuja prosa viva, e lampejante, um sopro camiliano anima por vezes – fica a maravilhosa ascensão d’um privilegiado temperamento. Esses dezoito anos valem como uma das mais orgulhosas manifestações de vitalidade literária que eu conheço – mas valem também, no nosso meio, como um raro caso. São dezoito anos d’um paciente, infatigável estudo, que é um prodígio de método, entre velhos códices e emoções de beleza; são dezoito anos de actividade de espírito, numa terra em que a mocidade e as idéias se desperdiçam na maledicência e na futilidade.
E ainda hoje, na conquista perfeita de todos os triunfos, este grande erudito da cor, este admirável pintor da palavra, continua, perscrutando as sombras e as tintas do passado, aglomerando idéias, cantando, ressurgindo figuras, escrevendo livros, com o esforço insatisfeito e a ânsia criadora de quem começou ontem." (Augusto de Castro). In: Acervo Rui Calisto.

Coelho Netto (1)

"13 de Abril de 1914 - Literatura Brasileira - A literatura do Brasil não tem só admiráveis poetas. Não foi apenas no verso, ao mesmo tempo convulso e perfeito, lapidar e ardente, que o génio brasileiro encontrou a sua gloriosa expressão. Também na prosa, - cujas raízes, ricas de seiva, mergulham nas mais puras fontes da língua portuguesa. No "Rei Negro", do grande romancista Coelho Netto, honra da literatura americana, a prosa brasileira atinge uma amplitude, uma energia, uma força, um poder de orquestração, um explendor de expressão verbal, uma audácia persuasiva, uma eloquência dominadora, - que arrastam, que subjugam e que maravilham.(J.D.)" In: Acervo Rui Calisto.

Fotobiografia

"Dezembro de 1913 (...) O Académico Sr. Dr. Júlio Dantas, que fez o elogio de Bulhão Pato, saindo da Academia." In: Arquivo Histórico Júlio Dantas. Acervo Rui Calisto.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Fotobiografia

9 de Junho de 1913
In: Arquivo Histórico Júlio Dantas. Acervo Rui Calisto.

Fotobiografia

19 de Maio de 1913
In: Arquivo Histórico Júlio Dantas. Acervo Rui Calisto.

Rafael Bordalo Pinheiro (1)

“1915 (…) Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro, o ceramista e caricaturista ilustre, representante de uma família em que o talento, como um título nobiliárquico, se transmite de geração em geração, acaba de publicar um livro acerca da obra do seu glorioso pai. Sousa Pinto, o elegante prosador do “Jardim das Mestras”, diz nesse livro o que foi a vida do grande Rafael Bordalo. A homenagem é digna de quem a recebe e de quem a presta. Desde o velho pai Bordalo, o provecto artista de hábitos patriarcais, que nos legou maravilhosos quadrinhos pintados à maneira flamenga e que a eternidade de quarenta anos injustamente deixou esquecer, até Rafael Bordalo Pinheiro, cuja obra fragmentária, brusca, impetuosa, combativa, cheia de eloquência e de brilho, de orgulho e de bravura, realizou a síntese de uma época; desde Columbano, cuja pintura neo-velasquiana ficará como uma das mais belas expressões do génio nacional, até à graça feminina e leve da Sra. D. Maria Augusta, em cujas mãos milagrosas se fez a renascença da renda portuguesa, e até Manuel Gustavo, a quem a nossa faiança já tanto deve, – a nobre família Bordalo tem mantido a sua linha de sucessão num morgadio de glória. O livro que acaba de publicar-se é mais um documento de inestimável valor para o estudo dessa família ilustre. (Júlio Dantas)”In: Acervo Rui Calisto.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O PRIMEIRO BEIJO

Na Ilustração Portuguesa de 1915: "Cena da peça do ilustre escritor e nosso colaborador, Sr. Dr. Júlio Dantas, O Primeiro Beijo, que com um espectáculo constituído por outras brilhantes peças suas, A Ceia dos Cardeais e Rosas de todo o ano, foi representada no Teatro da Paz, no Pará (Brasil), solenizando a fundação do Estado e Cidade de Belém. Os papéis foram assim distribuídos: Morgada da Rosa, Madame Romero; Morgado de Amares, Sr. Aníbal Ramos e Guardião de S. Francisco, Sr. João Carlos Soares". In: Acervo Rui Calisto.

domingo, 24 de janeiro de 2010

“Como sabem, sou acima de tudo um homem de teatro. Ora Deus para mim é um elemento essencialmente cénico.” Júlio Dantas.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Livros Publicados

Poesia:
• - Nada (1896)
• - Nada (ed. crítica comem. do 1º Cent. do Nasc. Do Autor – 1976 – Int. de J. C. S. Pereira)
• - Sonetos (1916)
Prosa:
• - A Lisboa que viu nascer o “Jornal do Comércio” (1953)
• - A Severa (1901)
• - Abelhas Doiradas (1920)
• - Alta Roda (1932) – 3ªed;
• - Ao Ouvido de Madame X (1915)
• - Arte de Amar (1922)
• - As Inimigas do Homem (1933)
• - Cartas de Londres (1927)
• - Contos (1930)
• - Discursos (1942);
• - Doentes (Com Manuel Penteado – 1897)
• - Eles e Elas (1918)
• - Espadas e Rosas (1919)
• - Eterno Feminino (1929)
• - Eva (1925)
• - Figuras de Ontem e de Hoje (1914)
• - Grandes Figuras (Obra Póstuma - 1972)
• - Lisboa dos Nossos Avós (Obra Póstuma – 1966)
• - Marcha Triunfal (1954)
• - Mulheres (1916)
• - O Amor em Portugal no Século XVIII (1915)
• - O Heroísmo, A Elegância, O Amor (1923) – 2ªed;
• - Os Galos de Apolo (1921)
• - Outros Tempos (1909)
• - Páginas de Memórias (Obra Póstuma – 1968)
• - Pátria Portuguesa (1914)
• - Revoada de Musas (Obra Póstuma – 1965)
• - Tribuna (1960);
• - Viagens em Espanha (1936)
Obra Dramática:
• - 1023 (Mil e vinte e três) (1914) – 3ª edição.
• - A Catedral (Obra Póstuma – 1970)
• - A Ceia dos Cardeais (1902) – 51ª edição. (Obs. Deve ter passado da 100ª edição)
• - A Severa (1901)
• - Alta Roda (1932)
• - Antígona (1946)
• - Auto da Rainha Cláudia (1897)
• - Carlota Joaquina (1919)
• - Como Elas Amam (1920)
• - Crucificados (1902)
• - D. Beltrão de Figueirôa (1902)
• - D. Ramon de Capichuela (1912)
• - Diálogos (1928)
• - Elogio do Sorriso (1948)
• - Frei António das Chagas (1947)
• - Mater Dolorosa (1908)
• - O Primeiro Beijo (1911)
• - O que morreu de amor (1899)
• - O Reposteiro Verde (1912)
• - Outono em Flor (1949)
• - Paço de Veiros (1903)
• - Rosas de todo o ano (1907)
• - Santa Inquisição (1910)
• - Sóror Mariana (1915)
• - Um Serão nas Laranjeiras (1904)• - Viriato Trágico (1900)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Júlio Dantas para as novas gerações

Júlio Dantas nasceu em Lagos, Portugal. Estudou no Colégio Militar, e formou-se em Medicina na Escola Médico Cirúrgica de Lisboa em 1900. Oficial médico do exército a partir de 1902, deputado em 1905, sócio da Academia das Ciências de Lisboa desde 1908, sendo seu presidente a partir de 1922, foi director do Conservatório Nacional, sendo ali professor de História da Literatura e director da Secção de Arte Dramática, foi Ministro da Instrução Pública em 1920, Ministro dos Negócios Estrangeiros em 1921/1922/1923, em 1941 foi um dos Embaixadores Especiais enviados ao Brasil para dignificar a cultura de Portugal, em 1949 foi nomeado Embaixador de Portugal no Rio de Janeiro.
Foi um fecundo autor em prosa e verso, tendo publicado o seu primeiro artigo no periódico Novidades no ano de 1893 e o seu primeiro livro de poemas no ano de 1897. A peça de teatro A Ceia dos Cardeais é até os dias de hoje a mais representada na língua portuguesa, bem como a mais traduzida para diversos idiomas, outros livros que granjearam muita popularidade em Portugal e no estrangeiro são: Paço de Veiros, O Reposteiro Verde, Pátria Portuguesa (uma exaltação ao povo e condenação da nobreza), A Severa (que deu origem ao primeiro filme sonoro português, realizado por José Leitão de Barros), O que Morreu de Amor, Santa Inquisição (diante do conflito iniciado com a Igreja Católica por causa da Lei da Separação de Afonso Costa, escreve esta peça onde condena violentamente o Tribunal do Santo Oficio), Frei António das Chagas, Abelhas Doiradas, Elogio do Sorriso, Um Serão nas Laranjeiras, Cartas de Londres e Lisboa dos Nossos Avós. O período da história que mais gostou de retratar foi o Século XVIII, onde exaltou o efémero, a morte, e o cosmopolitismo, salientando toda a decadência da vida aristocrática da época.
Foi um exímio tradutor, devendo-se a ele a melhor tradução, até à actualidade, para o português, de Cyrano de Bergerac, de Edmond Rostand e O Rei Lear, de William Shakespeare. Foi peça fundamental na elaboração de um acordo ortográfico com o Brasil, foi um dos fundadores da SECTP – Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses (hoje a SPA – Sociedade Portuguesa de Autores) sendo o seu primeiro presidente.
Vitorino Nemésio e David Mourão Ferreira defendem a sua qualidade literária, invulgar mestria dramatúrgica e perfeito senso de investigação, dando-lhe um dos principais lugares de destaque nas letras portuguesas.
Quando casou o fez pelo civil e quando morreu, apesar da grande comoção nacional, o seu funeral foi simples, realizado sem pompa, e como havia pedido, sem honras católicas, mantendo-se assim, fiel às suas convicções anti-clericais do início do Século XX.
Resgatar a história de vida e as obras literárias de Júlio Dantas é recuperar uma parte da história de Portugal. Um legado que nunca deveria ter deixado de estar presente nas livrarias nacionais. Pela Língua Portuguesa. Sempre.


quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A Espada


No convento, e talvez dez léguas em redor,
Frei André de Jesus tinha fama de santo:
Vigílias, orações, milagres, – e, entretanto,
Nunca tentara a Deus tão grande pecador.

Em moço, fôra o mais terrível e o melhor
Dos duelistas de Espanha: ao vento o feltro e o manto,
Batia-se a sorrir, matava a cada canto,
Chamava à sua espada o seu primeiro amor.

Depois envelheceu, surgiu do seu engano,
Tomou para mortalha o burel franciscano, –
Mas apesar de frade, e santo, e penitente,

Na sua cela, um dia, alguém o viu, a medo,
Abraçado a uma velha espada de Toledo,
A chorar, a chorar silenciosamente…


(In: Dantas, Júlio. Sonetos. 4ªed, Lisboa, Portugal-Brasil Ltda, 1916, p.41.)