sábado, 30 de janeiro de 2010

Rafael Bordalo Pinheiro (1)

“1915 (…) Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro, o ceramista e caricaturista ilustre, representante de uma família em que o talento, como um título nobiliárquico, se transmite de geração em geração, acaba de publicar um livro acerca da obra do seu glorioso pai. Sousa Pinto, o elegante prosador do “Jardim das Mestras”, diz nesse livro o que foi a vida do grande Rafael Bordalo. A homenagem é digna de quem a recebe e de quem a presta. Desde o velho pai Bordalo, o provecto artista de hábitos patriarcais, que nos legou maravilhosos quadrinhos pintados à maneira flamenga e que a eternidade de quarenta anos injustamente deixou esquecer, até Rafael Bordalo Pinheiro, cuja obra fragmentária, brusca, impetuosa, combativa, cheia de eloquência e de brilho, de orgulho e de bravura, realizou a síntese de uma época; desde Columbano, cuja pintura neo-velasquiana ficará como uma das mais belas expressões do génio nacional, até à graça feminina e leve da Sra. D. Maria Augusta, em cujas mãos milagrosas se fez a renascença da renda portuguesa, e até Manuel Gustavo, a quem a nossa faiança já tanto deve, – a nobre família Bordalo tem mantido a sua linha de sucessão num morgadio de glória. O livro que acaba de publicar-se é mais um documento de inestimável valor para o estudo dessa família ilustre. (Júlio Dantas)”In: Acervo Rui Calisto.

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