quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Júlio Dantas para as novas gerações

Júlio Dantas nasceu em Lagos, Portugal. Estudou no Colégio Militar, e formou-se em Medicina na Escola Médico Cirúrgica de Lisboa em 1900. Oficial médico do exército a partir de 1902, deputado em 1905, sócio da Academia das Ciências de Lisboa desde 1908, sendo seu presidente a partir de 1922, foi director do Conservatório Nacional, sendo ali professor de História da Literatura e director da Secção de Arte Dramática, foi Ministro da Instrução Pública em 1920, Ministro dos Negócios Estrangeiros em 1921/1922/1923, em 1941 foi um dos Embaixadores Especiais enviados ao Brasil para dignificar a cultura de Portugal, em 1949 foi nomeado Embaixador de Portugal no Rio de Janeiro.
Foi um fecundo autor em prosa e verso, tendo publicado o seu primeiro artigo no periódico Novidades no ano de 1893 e o seu primeiro livro de poemas no ano de 1897. A peça de teatro A Ceia dos Cardeais é até os dias de hoje a mais representada na língua portuguesa, bem como a mais traduzida para diversos idiomas, outros livros que granjearam muita popularidade em Portugal e no estrangeiro são: Paço de Veiros, O Reposteiro Verde, Pátria Portuguesa (uma exaltação ao povo e condenação da nobreza), A Severa (que deu origem ao primeiro filme sonoro português, realizado por José Leitão de Barros), O que Morreu de Amor, Santa Inquisição (diante do conflito iniciado com a Igreja Católica por causa da Lei da Separação de Afonso Costa, escreve esta peça onde condena violentamente o Tribunal do Santo Oficio), Frei António das Chagas, Abelhas Doiradas, Elogio do Sorriso, Um Serão nas Laranjeiras, Cartas de Londres e Lisboa dos Nossos Avós. O período da história que mais gostou de retratar foi o Século XVIII, onde exaltou o efémero, a morte, e o cosmopolitismo, salientando toda a decadência da vida aristocrática da época.
Foi um exímio tradutor, devendo-se a ele a melhor tradução, até à actualidade, para o português, de Cyrano de Bergerac, de Edmond Rostand e O Rei Lear, de William Shakespeare. Foi peça fundamental na elaboração de um acordo ortográfico com o Brasil, foi um dos fundadores da SECTP – Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses (hoje a SPA – Sociedade Portuguesa de Autores) sendo o seu primeiro presidente.
Vitorino Nemésio e David Mourão Ferreira defendem a sua qualidade literária, invulgar mestria dramatúrgica e perfeito senso de investigação, dando-lhe um dos principais lugares de destaque nas letras portuguesas.
Quando casou o fez pelo civil e quando morreu, apesar da grande comoção nacional, o seu funeral foi simples, realizado sem pompa, e como havia pedido, sem honras católicas, mantendo-se assim, fiel às suas convicções anti-clericais do início do Século XX.
Resgatar a história de vida e as obras literárias de Júlio Dantas é recuperar uma parte da história de Portugal. Um legado que nunca deveria ter deixado de estar presente nas livrarias nacionais. Pela Língua Portuguesa. Sempre.


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